Grupo francês fatura 650 milhões com estacionamentos no Brasil

O grupo francês Indigo, responsável pela administração de 192 estacionamentos em 17 estados brasileiros, pretende investir 300 milhões de reais no negócio até 2019. A companhia quase triplicou de tamanho de 2016 para 2017, e seu faturamento bruto deve chegar a 650 milhões de reais.

O grupo, que tem como acionista a Infra Park, uma das maiores mundiais do ramo, entrou no Brasil em 2013 e opera mais de 4.600 estacionamentos e 2,3 milhões de vagas em 17 países.

Buscando crescer – e muito, o grupo já investiu 200 milhões de reais de 2014 a 2017.

“Já administramos nove unidades do Walmart e três do Grupo Zaffari, queremos fechar o ano com 50 operações no setor”, diz Fernando Stein, presidente da Indigo Brasil.

Pagar para o cliente

Para conquistar as redes de varejo, a empresa usará a mesma cartada que tem usado com outras grandes contas do país. Além do contrato usual, em que recebe pela administração dos estacionamentos, a Indigo trabalha com contratos de até dez anos, onde quem desembolsa recursos iniciais é ela mesma. 

A companhia avalia o espaço que será usado para o estacionamento, localização e potencial de negócios, e com base nisso calcula quanto ele valerá a longo prazo. Traz isso para valor presente e desembolsa o dinheiro para o cliente.

“É uma forma de fidelizá-los, de mostrar o potencial do negócio, diluir risco e ainda fazer com que os clientes usem os recursos para investir como bem entenderem”, explica Stein.

O executivo conta que esse formato de contrato é muito ofertado pela corporação fora do país. Mas foi e tem sido muito bem aceito por aqui, nestes anos de aperto financeiro.

A operação funciona no Brasil desde junho de 2013, quando o grupo francês comprou 50% do capital da rede brasileira, que à época se chamava Moving. Em três anos, a companhia praticamente dobra de tamanho a cada ano.

Além dos serviços e contratos, Stein atribui o resultado à maneira da Indigo analisar riscos de entrada nos clientes. A área de prédios corporativos, por exemplo, que sofreu evasão de alugueis com a crise econômica, é uma das que eles nunca atenderam.

“Somos, em essência, uma empresa de risco e nos focamos em contratos maiores, que nos protejam e tragam retorno maior”, afirma Stein. Para a Indigo, esta tem sido uma boa manobra.

Por Tatiana Vaz, Exame